Dia 2 de novembro nem sempre é um dia bom. Aliás, quase nunca é um dia bom. Ninguém gosta da idéia de morte, principalmente quando ela está associada a alguém querido. É por isso que, neste dia fatídico, é comum querer o esquecer ao lembrar.
Quanto a mim, acredito que a característica recordatória não deva ser perdida. Eu, pessoalmente, odiaria ser esquecida. Odiaria ser mais um rosto em um jornal velho, um nome numa rua perdida no centro ou até parte de um álbum de fotos perdido para sempre numa caixa empoeirada no sótão.
Não há nada mais assustador que enfrentar o esquecimento. Morrer e saber que tudo o que fiz foi em vão, saber que, daqui alguns anos, todos aqueles que puderam confirmar a minha existência já não caminham entre os vivos e tornar-me aquele registro perdido nos anais da história.
Odiaria que o mesmo acontecesse com os que amo. Por isso me agarro às memórias, seguro-as com toda a força que possuo e luto contra o tempo, contra história e contra qualquer outra coisa que ouse tirá-las de mim. Luto, porque sei que se não lutar por elas, ninguém mais o fará. Luto, porque sei que sou a única que pode salvá-las – a única que vê algum ganho em mantê-las.
O esquecimento não é uma opção. Não pode ser esse o sentido da vida - simplesmente não posso aceitar que seja. Não posso aceitar que todo o esforço que a minha mãe fez para manter-me viva tenha sido em vão. Se de fato não houver um Deus, se não houver um paraíso, se não houver alguma coisa além disso tudo, então a existência é uma grande piada de mau gosto e não há nada que possa fazer valer esses anos de sofrimento.
No final, tudo vira pó. Ninguém poderá dizer que um dia estivemos aqui, caminhamos por estas terras, comemos dos mesmos frutos. E não há porque saber disso tudo, afinal, não é como se tivéssemos uma segunda chance para aprender com nossos erros. Somos como uma fotografia, perdemos nosso valor quanto todos aqueles a quem nossa existência valia algo desaparecem, morrem ou whatever.
É por isso que escrevo. Escrevo porque existo. Existo e ninguém sabe. Porém, nem assim garantirei meu passe para a eternidade: assim que esse texto for esquecido, esse site for apagado, este papel e tudo que me liga a ele for perdido, então vai só uma questão de tempo até que prefiram me esquecer…
- Postado por: Marilia~ �s 20h42
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